quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Preguiça boa

Carolina Baldin Meira

Férias de verão. Algumas tardes de sol em meio a um janeiro tão chuvoso, boas e longas horas de sono, tédio e procura constante por algo a se fazer. Mas chegou a hora de assumir: quem não adora o ócio, não é mesmo?

Foram tardes preguiçosas e encontros descontraídos para fazer um som que nomearam a banda Vivendo do Ócio. Destaque do indie rock nacional, o grupo baiano – composto atualmente pelos amigos Jajá (voz e guitarra), Luca (baixo e vocal), Davide (guitarra) e Diego (bateria) – se reuniu na casa de um deles pela primeira vez em 2006, no centro histórico de Salvador.

Mas não foi o ócio que levou a banda ao sucesso e repercussão na mídia. Trabalho intenso e dedicação resultaram em diversas composições próprias, ensaios e gravações. Em 2008, lançaram virtualmente o demo Teorias de Amor Moderno. Os convites para shows e festivais se multiplicaram após o Vivendo do Ócio participar do GAS Sound (reality show com bandas de garagem do Brasil inteiro) e sair como vencedor do concurso.

vivendodoocio.com.br

Influenciado por clássicos dos Rolling Stones e dos Beatles, o quarteto também se utiliza de elementos da nova cena britânica, sem deixar de lado a origem no despojado rock de garagem baiano. “Pegue Arctic Monkeys, Strokes, Clash e Hermanos, misture tudo e jogue no meio do Pelourinho”, resume a descrição no site oficial da banda.

O álbum de estréia do Vivendo do Ócio, Nem Sempre Tão Normal, contém 14 faixas de autoria própria. As canções falam de desencontros amorosos (como em Dilema), crises no relacionamento (bem retratadas em Amor em Fúria) e bebedeiras desregradas (vide É Melhor Pensar Duas Vezes). O disco deu visibilidade ao grupo e os levou a uma estréia nacional em grande estilo: a premiação Video Music Brasil (VMB) os consagrou como Aposta MTV de 2009.

Capa do segundo álbum, que sai em fevereiro pelo selo Vigilantes
Agora em 2012, a novidade é o segundo álbum do grupo, O Pensamento É Um Ímã. Entre as músicas, Nostalgia destaca-se com palavras sinceras e regadas de saudades da terra natal. Nos versos, há um claro diálogo com a poesia O Incriado, de Vinicius de Moraes (“Eu sou como o velho barco que guarda no seu bojo o eterno ruído do mar batendo”). A faixa sinaliza o amadurecimento das composições com relação ao álbum antecessor e mostra o fluxo criativo dos baianos em ação.

Sem deixar o rock moderno e dançante de lado (como em Eu Preciso Me Recuperar e em Bomba Relógio), a banda também se permitiu a experimentação de ritmos: as batidas tipicamente nordestinas da canção O Mais Clichê trazem um charme todo especial ao álbum. A música contou com a participação de Dadi, dos Novos Baianos.

Em uma cena cada vez mais renovada, o rock nordestino tem ganhado espaço com os cabeludos do Vivendo do Ócio, que atualmente vivem na maior capital do país, São Paulo. Para ouvir na íntegra o álbum O Pensamento É Um Ímã, basta ir até a página do grupo no Facebook. Abaixo, confira o recém-lançado videoclipe - gravado na Itália - da segunda faixa do disco, a música Silas.

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