domingo, 22 de janeiro de 2012

O rap é assim, truta, saca só...

Carolina Rodrigues

"Eu não vou salvar o mundo, mas tentar me deixa
muito feliz" (GBR)
Foto: Gettyimages.com
O rap diz muito sobre a realidade mundial, principalmente no que se relaciona com as classes menos favorecidas. Mas a maioria das pessoas não conhece a história e nem a importância desse gênero musical. O meu post de hoje para o Especial “Gêneros e Subgêneros da Música” é justamente sobre isso. 

É difícil falar sobre rap sem ter contato com ele. Justamente por isso, além de pesquisar, procurei me relacionar com quem realmente acredita e entende disso. Gabriel Granzoti, rapper e amigo meu, ajudou-me bastante. 

A história 

A sigla RAP significa, em inglês, Rhythm And Poetry (ritmo e poesia, traduzido). O próprio nome já explica bastante a essência do gênero, que surgiu na Jamaica durante a década de 1960 e possui características específicas, como ritmo acelerado, diversas rimas, letras que expressam a realidade de uma determinada sociedade, linguagem própria com gírias, dentre outros. 

Foi nos EUA, na década de 1970, que o rap ganhou espaço e, desde então, espalhou-se pelo mundo. Chegou ao Brasil nos anos 80 e até hoje retrata bastante a sociedade brasileira, principalmente no que se diz respeito às favelas. 

Grandes nomes do rap como Tupac, Ice Cube, Notorious, Eminem, dentre outros, ajudaram a propagar o gênero musical. No Brasil, o destaque é para Mano Brown, Mv Bill, Facção Central, Racionais, Emicida.

Gabriel, conhecido artisticamente como GBR, explicou de forma simples e clara como é a cultura de rua que envolve o rap. "O Hip Hop possui quatro elementos: Mc (mestre-de-cerimônias), DJ (disc-jóquei), Break (dança de rua) e Grafiti (pintura de rua). O rap é a música do movimento Hip Hop, feita pelo DJ e pelo Mc". 

A importância 

O rap é arte, e isso poucos reconhecem. É através dessa arte que os rappers tentam cativar, impressionar ou cutucar os ouvintes. No rap, a letra é o mais importante - diferentemente da maioria das músicas de hoje, que simplesmente fazem as pessoas dançarem, e não refletirem. Tanto que o rap chega a ser bem mais falado do que cantado. Realmente, possui um "p" de poesia. 

Gabriel me mandou uma crônica chamada Eu sou o rap. Depois de ler, cheguei, finalmente, a uma conclusão que, apesar de óbvia, está escondida aos olhos de quem vê por fora: quem faz rap tem que viver e ser a essência do rap, ou seja, retratar a realidade nas músicas com o objetivo de mudar alguma coisa, nem que seja um simples pensamento de um ouvinte. “Um Mc ou rapper não costuma cantar letras que não foram compostas por eles. Não é só escrever e cantar, nós temos um compromisso de passar alguma mensagem em nossas músicas”, esclareceu Gabriel. 

Justamente por falar de realidade, o rap incomoda muita gente. É um estilo de música que sempre vai estar ligado à cultura marginal, às favelas e à periferia, e, devido a isso, continuará sofrendo preconceito. Mas o rap tem quebrado barreiras e conquistado grande público nos últimos anos. Uma prova disso é o fato de o cantor Criolo ter faturado três dos onze prêmios na premiação da MTV, VMB (Video Music Awards), em 2011: Revelação do Ano, Melhor Disco e Melhor Música – Não existe amor em SP.


Segundo Gabriel "o rap tem sido tão escutado atualmente por tratar de assuntos do cotidiano, que estão mais próximos das pessoas. As músicas não falam mais só de favela, mas também não perderam suas raízes e o poder contestador". Pura verdade. A produção acima é uma prova dessa tendência atual do rap, ao tratar justamente de assuntos corriqueiros: amor, Deus, cidade.

É com isso que Gabriel trabalha, verdades que giram em torno de sua vida: amizades, amores, religião, etc. Quem estiver interessado em conhecer seu trabalho pode entrar no site e baixar as músicas que compõem seu primeiro EP, lançado recentemente. Afinal, a melhor maneira de nos aproximarmos do rap é ouvindo as músicas e apreciando a essência do ritmo, da poesia e de todo o contexto das letras.

Pra deixar vocês, leitores, arrepiados, posto esse vídeo, que mostra claramente a maneira como o rap vem de dentro, sem filtro:


2 comentários:

  1. quero ver alguém fazer melhor que o emicida no processador humano!

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  2. Faltou o quinto elemento do Hip Hop que é o conhecimento. Mas show de bola o post!!!

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