domingo, 13 de novembro de 2011

Um exagerado por quem todos se jogaram aos pés

Mayara Abreu Mendes

Quando sugeri o In Memoriam para o especial, nem havia pensado que eu seria uma das meninas a escrever. Foi chegando a minha vez de escrever e eu não fazia ideia sobre quem eu iria falar. Eu pensei em Mamonas Assassinas, Elis Regina, Cássia Eller e Cazuza. Fiquei na dúvida por muito tempo, até que fiz minha escolha: vou falar do poeta dos anos 80.

Pequeno Cazuza. Site oficial.
Agenor de Miranda Araújo Neto nasceu em quatro de abril de 1958, no Rio de Janeiro. Nasceu e cresceu em Ipanema, estudou em um colégio caro da região e foi um menino quieto e um tanto solitário durante a infância inteira. Seu pai, desde antes do nascimento, já o chamava de Cazuza (moleque, de acordo com o significado nordestino da palavra), contrariando, a princípio, a personalidade do menino.

Foi apenas na adolescência que Cazuza revelou seu princípio de rebeldia, terminando o ensino médio com muito sufoco. Seu pai, João Araújo, o prometeu um carro caso passasse no vestibular. Cazuza se esforçou e entrou na faculdade de Comunicação, mas largou o curso em menos de um mês depois de começar, pois já vivia, nessa época, a vida de sexo, drogas e rock ‘n’ roll. Por conta disso, o pai de Cazuza logo tratou de arrumar um emprego para o rapaz na gravadora em que era presidente (a Som Livre) e, em 1976, Cazuza passou a conhecer toda a área artística e como funcionavam as gravações e os lançamentos de novas bandas. Além disso, fez um curso de fotografia no exterior, mas nada o agradava.

Formação do Barão Vermelho original
Cazuza foi se encontrar apenas no final de um curso de teatro, em que fez um musical e teve que soltar a voz. Daí para frente, ele já sabia o que queria fazer, mas não tinha uma banda. Foi quando descobriu o Barão Vermelho, então sem vocalista, e começaram juntos uma carreira. Em 1982, um ano depois do início da banda, Barão já tinha contrato assinado com a gravadora Som Livre (mesmo com o pai de Cazuza relutando para aceitar a banda do filho) e já estava conquistando fãs, por exemplo Caetano Veloso. Rock e blues compunham Barão Vermelho e as letras de Cazuza faziam a polêmica da banda.

Com seus sucessos, chegaram até ao cinema. Muitos discos vendidos, regravações feitas por diversos artistas famosos – Ney Matogrosso foi um deles -, e então, em 1985, Barão Vermelho chegou aos palcos do primeiro Rock In Rio. Mas a esse ponto, o comportamento desleixado e de certa forma irresponsável de Cazuza o fizeram deixar o grupo e seguir carreira solo.

Cazuza, alguns meses depois de deixar a banda, foi diagnosticado com infecção bacteriana, mas ainda assim quis fazer o teste de HIV (resultado negativo, então). Nada o impediu de fazer muito sucesso e crescer musicalmente. Porém, em 1987, Cazuza já sabia que estava com Aids e foi aos Estados Unidos para se tratar. Voltando em 1988, gravou um novo disco de muito sucesso, o Ideologia. Cada vez mais Cazuza conquistava as pessoas com suas músicas agora falando sobre vida.

Site oficial
Em 1989, a situação já estava crítica para Cazuza e o vírus do HIV estava prestes a vencê-lo completamente. O sucesso do cantor nunca parou, mas quando teve que voltar para Boston e se tratar novamente, sua saúde estava mais debilitada. Em sete de julho de 1990, já de volta ao Brasil, Cazuza veio a falecer, sendo enterrado no Rio de Janeiro.

Cazuza teve uma vida curta, mas ainda assim de muito sucesso. Se não fossem todas as tentações que a vida lhe proporcionou, ele teria seguido por muitos anos. Infelizmente, por falta de cuidado dele mesmo, a doença o pegou drasticamente e não havia o que fazer na época. Apesar de tudo, Cazuza foi eternizado como um dos maiores ídolos brasileiros de todos os tempos. Fiquem agora com dois dos grandes sucessos do cantor. 

Exagerado:

E O Nosso Amor A Gente Inventa:

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