terça-feira, 1 de novembro de 2011

Pago na íntegra

Marina Rosanese

Eu não estava nada preparada quando tudo acabou. Foi de repente, me atingiu sem que eu nem percebesse. Acordei, lembrei-me do dia anterior. As fotos rasgadas. Era o fim.

O vazio ecoava em minhas entranhas, quase como se algo me corroesse e eu não pudesse evitar. A dor que latejava não era física, mas, ainda sim, parecia incrivelmente palpável.

Eu precisei ser forte, mas, como sempre, eu fui fraca. Acho que a culpa é um pouco minha pela situação em que nos encontramos agora. E eu ainda aceitaria qualquer coisa que você me oferecesse agora. Foi-se o tempo em que eu tinha meu orgulho. Perdi cada pedacinho dele.

Você mudou? Eu também. Mas o amor ainda pode crescer se houver um último grão, uma última gota. Uma última esperança.

No entanto, é difícil conseguir amar a mim mesma agora. Eu esperei, odiei e botei a culpa sempre em você.
Um momento de conciência. Retomo a razão que há muito perdi. Viro a outra face. Na sua boca, as palavras querendo sair mas você não tem coragem de dizê-las. Pela primeira vez, eu me torno mais forte. Agora já não sou aquela que tem medo.

Se não se importa, eu vou embora. Não vou perder o último trem mais uma vez.

É difícil pra mim amar seu rosto novamente. Estou esperando, odiando, precisando e sendo. Sendo eu mesma. Precisando de você cada vez menos, e cada dia nos afasta um pouco mais.

É difícil odiar a mim mesma agora, pois finalmente eu consigo me entender. Talvez um dia, quem sabe, possa haver um novo "eu e você". Talvez demore, talvez não. Mas antes eu preciso aprender a amar a mim mesma também. 

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