segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O balanço de Tereza Gama

Vanessa Souza

Os músicos se posicionaram. A cantora atravessou a área de convivência do SESC de Bauru, passou pelo público que já estava acomodado nos bancos dispostos pelo salão e esperou ser anunciada para subir ao palco. Logo em seguida, começou o show.

Foto: Divulgação
Tereza Gama, logo na primeira música, impôs sua voz contralto sobre todos os presentes. Enquanto algumas pessoas do público arriscavam um passo ou outro para acompanhar a música, a cantora se divertia no palco cantando e também dançando. Estava claro – e ela não tinha porque esconder – que adora o que faz: “Eu gosto de cantar”, ela repetiu algumas vezes durante a apresentação.

Ao fim dela, a cantora foi para seu camarim tomar banho e conversar com conhecidos que estavam presentes na platéia. Algum tempo depois, ela me recebeu para conversarmos sobre sua carreira e seus projetos musicais.

Iniciei com uma pergunta simples: queria saber como ela começou a ter contato com a música. “Através de familiares?”, indaguei. A resposta, mesmo que sendo a esperada, me surpreendeu pela forma com que foi formulada: “Sim, sou filha de pessoas famosas. Eu digo famosas, assim, da vida: meu pai, lavrador e minha mãe, lavadeira.”.

Tereza cresceu em meio a rodas de violeiros e música caipira. Seu pai tocava em comemorações a colheitas e sua mãe cantava “por puro prazer”, sem profissionalismo. Nesse momento, ela ressaltou que seu pai também não era profissional, mas ele se apresentava em festas pelo interior de São Paulo e outros estados.


Rodas de samba e viagens ao exterior

Com o tempo, a cantora acabou criando afinidade com o ritmo na periferia de São Paulo. Nessa época, ela se apresentou em bares, botecos e rodas de samba, das quais ela disse ter participado “a todo o vapor”. Foi assim que conheceu Marco Mattoli, com quem formou a banda de samba rock Clube do Balanço.

Como vocalista do Clube do Balanço, Tereza ganhou experiências valiosas: ela se apresentou em diversos países, como Rússia, Finlândia e Singapura. Neste último, logo que entrou no palco, ela se perguntou “Como esse povo vai entender o nosso trabalho?”. Ao longo do show, no entanto, ela percebeu que samba rock e a música brasileira têm muito a ver com movimento e expressão corporal: “Quando você dança o samba rock e acompanha o ritmo dele no palco, o público também segue.”


Homenagem ao partido alto

Em 2005, Tereza recebeu um convite para regravar clássicos do samba de partido alto e fazer seu primeiro disco solo. O DJ paulistano Renato Bérgamo, muito conhecido no circuito dos bailes antigos de São Paulo, fez uma ampla seleção de músicas do samba e pediu para Tereza escolher quais queria gravar. Entre os artistas estavam Aniceto do Império, Candeia, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Osvaldinho da Cuíca e Jamelão. Ela diz que “foi difícil, para mim, escolher. Foi bem difícil, mas eu consegui... do rosário, eu tirei algumas orações”.

O disco foi batizado como Aos Mestres com Carinho – Homenagem ao Partido Alto e traz 14 faixas, tendo, entre elas, Barracão é Seu de Clementina de Jesus, Cuidado Moço de Jamelão (que, no álbum de Tereza, tem a participação especial de seu colega de Clube do Balanço, Marco Mattoli) e Sorriso Negro de Dona Ivone Lara.


De rumba a blues

Tereza disse que continua como vocalista do Clube do Balanço, mas que também vai prosseguir com sua carreira solo. Mesmo gostando de regravar canções já eternizadas por outros artistas, a cantora também escreve e quer lançar um material autoral e diversificado, junto a músicas de amigos compositores.

A idéia do projeto é não gravar somente samba: “Eu pretendo gravar todos [os estilos de música]... eu gosto de cantar.”, ela volta a enfatizar. “Eu acho que a música tem um universo imenso. Então eu quero gravar desde rumba, tchá-tchá-tchá, bolero, samba de terreiro, samba canção até blues. Eu quero fazer um trabalho assim, eu quero cantar.”.

Tereza acredita que seu projeto futuro será bem recebido por seus fãs. Ela conta que tem uma audiência que gosta de todos os estilos, “graças a Deus. O meu público tem cultura, assim como o de outras cantoras e cantores.”. A cantora também deixou claro que quer preparar esse trabalho com muito carinho.

Assista ao clipe de Partido na Cozinha na versão de Tereza Gama:

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