segunda-feira, 28 de novembro de 2011

In Memoriam: Chet Baker

Carolina Ito


No ano de 1929, em meio a uma crise econômica mundial, nasce Chesney Henry Baker Jr., que se tornaria um trompetista e cantor de jazz conhecido como Chet Baker. Seu pai, que também era músico,  presenteou-o com o primeiro trompete quando tinha onze anos e, a partir daí, ele se tornou um artista autodidata consagrado em palcos da América e da Europa.

Chet iniciou a carreira como coadjuvante de um quarteto de jazz, mas logo se destacou por sua originalidade. Na década de 50, foi escolhido para tocar com o lendário Charlie Parker, um dos saxofonistas que fundou a corrente do bebop nos Estados Unidos. Diz a lenda que Charlie Parker chamou Miles Davis e Dizzy Gillespie, e disse: “há um garoto branco aqui dando trabalho. Melhor vocês tomarem cuidado”.

Nessa época, o estilo mais popular do jazz era o bebop, marcado por um ritmo ágil e por uma melodia complexa formada por pequenas notas. Outra vertente era o cool jazz, dotada de uma melodia mais lenta, melancólica e com menos notas. Miles Davis foi um dos maiores representantes do cool com seu premiado disco Kind of Blue, lançado em 1959.

O estilo de Chet Baker pode ser associado ao cool jazz, principalmente no início de sua carreira. No entanto, seu modo de tocar e cantar com a voz sussurrada foi considerado pioneiro no gênero.

Há especulações de que Chet teria influenciado os artistas da Bossa Nova (como sugere o crítico musical José Ramos Tinhorão), mas não seria nada estranho considerar que João Gilberto, por exemplo, tenha influenciado a música de Chet Baker. Afinal, eles foram artistas contemporâneos de uma época.

A vida de Chet Baker se revela com mais detalhes no documentário Let’s Get Lost (1988), que leva o nome de uma de suas canções mais famosas. Belas mulheres, carros que não podia pagar e o uso devastador de heroína são aspectos que marcam a biografia do músico. Ele gravou mais de 900 canções até o dia de sua morte, em 1988, quando despencou da janela de um hotel em Amsterdã. (Clique e assista à primeira parte do documentário)

“Eu sempre estou procurando meu isqueiro“, disse Chet Baker durante uma entrevista, com a voz calma, num tom de divagação. E essa frase soa como uma metáfora de sua busca incansável por estar perdido.




Um comentário:

  1. Eu conheci o Chet quando ele foi citado pelo Jack Kerouac no "On the Road". Foi paixão à primeira vista. Prefiro ele tocando que cantando, aí não tenho muita paciência. Mas a beleza e suavidade do trompete é fenomenal. Uma que gosto demais é sua versão para "Stardust".
    obs: É impressionante sua transformação física causada pela heroína. De bela figura passou a parecer um idoso, ainda com quarenta e poucos anos.

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