segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O laboratório progressivo de Transatlantic

Felipe Vaitsman*

Foto: transatlanticweb.com
Pense em uma reunião de músicos sensacionais. Pense em algo épico e grandioso. A exemplo do que foi o Cream (Eric Clapton, Jack Bruce, Ginger Baker) nos anos 60, ou Emerson, Lake & Palmer na década seguinte, o Transatlantic é o conceito de supergrupo levado ao extremo. Formado por quatro expoentes do rock progressivo mundial, teve raras aparições ao longo de sua existência.

O projeto surgiu em 1999 com os norte-americanos Neal Morse (vocal, teclado e violão; ex-Spock’s Beard) e Mike Portnoy (bateria e vocal; ex-Dream Theater). Para completar o grupo em altíssimo nível, foram convidados o sueco Roine Stolt (guitarra e vocal; The Flower Kings) e o inglês Pete Trewavas (baixo e vocal; Marillion).

Não poderia ser diferente. A união de influências e ideias, somadas à musicalidade e técnica dos integrantes, resultaram na grande produção de SMPT:e (StoltMorsePortnoyTrewavas), um álbum criativo e empolgante que traz variados elementos do rock progressivo. Compassos compostos, teclados, experimentação instrumental e o uso de diversos vocais determinaram o perfil da banda.

A química de Transatlantic

Ouvindo o SMPT:e, é possível notar que as músicas derivam de um processo de composição 'em conjunto', resultado de longas horas de jam sessions. All Of The Above, por exemplo, é dividida em seis partes. Em mais de meia hora de duração, apresenta uma série de detalhes, quebras e digressões, que provocam uma sensação nova a cada trecho. A pegada firme de Portnoy, o feeling de Stolt, os teclados inovadores de Morse e o groove de Trewavas casam perfeitamente. Além disso, as quatro vozes encaixam-se de maneira absoluta, dando uma intensidade fora do comum às músicas.

Ouça Mystery Train, terceira faixa do disco:


Uma vez firmada e aprovada a parceria, os integrantes mantiveram o Transatlantic como projeto paralelo e, em 2001, lançaram seu segundo álbum. Bridge Across Forever é imponente e explora ainda mais o lado progressivo da banda. São apenas quatro faixas, duas delas com mais de 25 minutos de duração, com arranjos orquestrados e muito peso.

Na turnê desse disco, foi gravado o DVD Live In Europe, em Tilburg, na Holanda. O material foi lançado apenas em 2003, quando a banda já havia se dissolvido. Trata-se de uma grande performance e registra um cover brilhante de boa parte do disco Abbey Road, dos Beatles. A banda ainda conta com a participação do gênio Daniel Gildenlöw, multi-instrumentista e líder da banda de metal progressivo Pain Of Salvation, que dá um toque especial ao show.

O reencontro

Durante seis anos, o Transatlantic esteve em recesso. Neal Morse afastou-se de todos seus projetos para trilhar carreira solo. Nesse período, gravou alguns CDs com a participação de Mike Portnoy, mas o grupo completo só voltou a se juntar em 2009. 

O terceiro e último álbum de estúdio, The Whirlwind, é o resultado da nova reunião, mas não chega aos pés das outras duas obras. Apesar de seguirem a mesma linha dos velhos e bons tempos, as músicas são previsíveis e, em alguns aspectos, muito semelhantes às composições solo de Morse.

Ponto alto da nova fase do Transatlantic é o DVD Live From Shepherd’s Bush Empire, gravado em Londres em maio de 2010. A grande qualidade das filmagens e do som empolgam qualquer fã e só aumentam a expectativa para novos materiais em processo de finalização.

No dia 25 desse mês, será lançado o box More Never Is Enough, contendo um CD triplo (íntegra de um show em Manchester, Inglaterra) e um DVD duplo (concerto de mais de três horas em Tilburg, Holanda). 

Assista ao vídeo de We All Need Some Light, música do SMPT:e, no Live From Shepherd’s Bush Empire:



@felipevaitsman

*Esta é uma colaboração de Felipe Vaitsman, estudante de Jornalismo, para o Play This Beat.

Nenhum comentário:

Postar um comentário