segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Metade progressivo, um Terço MPB e um todo original.

Conheça a banda O Terço - a pioneira no rock progressivo nacional

Marina Rosanese

Sérgio Hinds, Flávio Venturini e Sérgio Magrão hoje.
(Foto: Divulgação)
Poucas pessoas podem afirmar que conhecem o rock progressivo brasileiro. Muitas, inclusive, chegam a dizer que ele nunca existiu, e O Terço é a prova de que isso é um equívoco.

Formada em 1968 por Sérgio Hinds no baixo, Jorge Amiden na guitarra e Vinícius Cantuária na bateria, a banda com formação em trio originalmente se chamaria Santíssima Trindade. No entanto, em uma época já de constantes repressões, os integrantes acharam melhor não criar conflitos com a Igreja Católica. Dessa forma, propuseram o nome O Terço.  

O som verdadeiramente progressivo da banda teve início no ano de 1972, devido à influência do progressivo inglês, na época representado por Pink Floyd, Genesis e Yes.

Em 1973, o grupo lança o disco também chamado O Terço, provando que sabia fazer progressivo com músicas como Amanhecer Total, que era dividida em seis partes, e Imagem.



No ano de 1974, O Terço tinha nova formação: Sérgio Hinds agora na guitarra, Sérgio Magrão no baixo, Luiz Moreno na bateria e Flávio Venturini tocando teclado e viola. É neste contexto que a banda realiza a gravação de seu terceiro disco, o Criaturas da Noite, o qual também teve uma versão onde seus vocais foram gravados em inglês, visando o mercado internacional, e intitulou-se Creatures Of The Night. O destaque deste álbum foi a canção 1974, composta por Flávio Venturini e considerada pelos fãs a obra-prima da banda.



Em 1978, a banda lança o disco Mudança de Tempo, misturando rock progressivo com MPB, mas não recebe boas críticas. O desgaste com a gravadora, com gravação do último disco e com as críticas influenciou negativamente o grupo, e a banda chegou ao fim. Os integrantes remanescentes foram fazer projetos parelelos. No entanto, na década de 1990 o grupo se reuniu várias vezes, com diferentes formações, para gravar novos projetos.

No inícios dos anos 2000, a banda retorna intregrada por Sérgio Hinds, Cezar de Mercês, Sérgio Magrão e Luiz Moreno, interpretando todas as músicas gravadas nos anos 70. No entanto, após o falecimento de Luiz Moreno, o guitarrista Sérgio Hinds juntamente com Flávio Venturini, Sérgio Magrão e o baterista Sérgio Mello resolvem seguir em frente, integrando a formação atual.

Com mais de 20 discos gravados e 15 formações (o que deve ser um record!), a principal banda de rock progressivo nacional foi certamente inovadora, provando que o Brasil pode tocar qualquer estilo de música. Vale a pena conhecer.

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