sábado, 15 de outubro de 2011

Make love, not war

 Musical ambientado no movimento antiguerra e na contracultura traz versões de músicas do quarteto de Liverpool

Carolina Baldin Meira

O que esperar de um filme que une o repertório de uma das maiores bandas de todos os tempos ao contexto histórico da década de 60? E tudo isso na categoria de musical. Estou falando de Across The Universe, produção de 2007 embasada na riquíssima obra dos Beatles.

(Foto: Divulgação)
Com direção e roteiro de Julie Taymor (do filme Frida e do musical da Broadway O Rei Leão), o musical norte-americano é um retrato dos turbulentos anos 60, do movimento de contracultura, da Guerra do Vietnã, do rock’n’roll e da paixão dos jovens que viveram este período. 

Segundo a diretora, sua intenção era investigar esta geração, e para isso tentou penetrar em todos os níveis a essência e as músicas dos Beatles – desde as canções de amor até as de cunho político. Todos os nomes dos personagens da trama fazem referência a músicas do quarteto (Paul, Ringo, John e George), incluindo o título do filme, além de diversas falas e cenas.

O enredo
A história se inicia com o jovem Jude (Jim Sturgess), que decide partir da cidade de Liverpool, na Inglaterra, em busca de seu verdadeiro pai nos Estados Unidos. Ao chegar a terras americanas, Jude se torna amigo do estudante rebelde da Universidade de Princenton, Max (Joe Anderson), que o apresenta a sua irmã Lucy (Evan Rachel Wood). 

Cena de um dos protestos anti-guerra
(Foto: Divulgação)
Max abandona a faculdade e convence Jude a se mudar com ele a Nova York, centro cultural e liberal daquele período. Em seguida, Lucy se une aos dois. É uma questão de tempo para que Jude e Lucy se apaixonem e vivam um daqueles romances de tirar o fôlego em meio a conturbações e agitações políticas. Junto a um pequeno grupo de amigos e músicos, o casal se envolve em protestos contra a Guerra do Vietnã. Entre o grupo, destacam-se os personagens Jojo (Martin Luther McCoy) e Sadie (Dana Fuchs), claras referências aos ídolos do rock Jimi Hendrix e Janis Joplin, respectivamente. Outras participações especiais no elenco são do cantor Joe Cocker (como um cafetão hippie) e do vocalista Bono, do U2 (como o exótico escritor Dr. Robert). Curiosidade: uma das cenas de Bono – na qual ele dirige um ônibus psicodélico ao interpretar a canção I Am The Walrus – foi considerada uma das mais bizarras da atualidade, perdendo apenas para a cena final de 2001: Uma Odisséia No Espaço.

As músicas
A trilha sonora é completamente composta por canções interpretadas pelos Beatles ao longo da consagrada carreira. Com relação às gravações do filme, 90% das músicas foram gravadas ao vivo nos sets de filmagens, sem necessidade de quaisquer dublagens feitas em estúdio na pós-produção do musical. 

Entre os clássicos dos Beatles presentes em Across The Universe, destaca-se a interpretação de I Want You (She’s So Heavy). A cena contou com a sacada genial da diretora de personificar um cartaz do Tio Sam apontando para um grupo de jovens e convocando Max a se alistar no Exército. Ainda no contexto das lutas, a música Helter Skelter serviu aos protestos estudantis anti-guerra. 

Morangos, morte e guerra: Strawberry Fields Forever
(Foto: Divulgação)
Outra interpretação de voz poderosa é Come Together, feita pelo músico Joe Cocker. A tradicional Let It Be não fica de fora, e serve de plano de fundo em fortes cenas de confronto racial entre a polícia e a população negra em Detroit, em julho de 1967. O sangue derramado na guerra foi representado por morangos esmagados na parede, em referência a Strawberry Fields Forever.

 Entre a crítica, o filme foi bem recebido por uns e apedrejado por outros. O fato é que a qualidade musical dos Beatles dificilmente será reproduzida sem alguns pecados: o quarteto é e sempre será único. Apesar de um enredo que deixa a desejar em alguns momentos, o esforço e a revelação de jovens talentos como Jim Sturgess e Evan Rachel Wood são indiscutíveis. O musical Across The Universe apresenta, a meu ver, versões bem produzidas e originais das músicas dos Beatles. Ou seja: independentemente de gostar ou não do enredo, os verdadeiros fãs têm um prato cheio para se deliciar, a começar pela trilha sonora.

 Deixo vocês com a empolgação de uma das minhas versões preferidas no musical, a canção I’ve Just Seen a Face:

Um comentário:

  1. Porra, Carol, sensacional a escolha desse musical pro especial! Eu sou apaixonada por esse filme!
    Parabéns, lindo post.
    Beijão!

    ResponderExcluir