sábado, 1 de outubro de 2011

A lenda urbana que se tornou musical

Amanda Lima

Músicas excepcionais e muito sangue derramado em uma
Londres lúgubre fazem parte do cenário de Sweeney Todd
(Foto: Divulgação)
O musical Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (2007) é mais um filme dirigido pelo cineasta Tim Burton que conta com a atuação de Johnny Depp e da atriz Helena Bonham Carter. Os três estiveram envolvidos no mesmo projeto várias outras vezes, como em A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005) e, mais tarde, em Alice no País das Maravilhas (2010).

Inspirado no musical de Stephen Sondheim, de 1979, Sweeney Todd apresenta a união da excentricidade e competência de Burton somadas às atuações impecáveis de Helena e Johnny Depp, que tiveram como resultado, mais uma vez, um belo filme de aspecto fúnebre, vencedor de três Globos de Ouro e dois Prêmios da Academia.

O filme conta a história do barbeiro Benjamin Barber (Johnny Depp), preso injustamente pelo juiz Turpin (Alan Rickman) que, apaixonado pela esposa de Benjamin, Lucy (Laura Michelle Kelly), obriga-o a ficar longe da cidade. Depois de 15 anos longe da família, ele volta à cidade sob a alcunha de Sweeney Todd, proposto a se vingar do que lhe ocorreu. Lá, ele encontra Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter), que vende tortas em uma loja de fachada próxima à sua antiga barbearia, localizada na Rua Fleet. Todd assassina seus clientes com um corte na garganta e deposita os corpos em um espaço subterrâneo. Com as vítimas, Mrs. Lovett faz tortas de carne e reergue sua antiga loja de tortas, que se encontrava em estado deplorável.

Se você não assistiu ao filme e não imagina Johnny Depp cantando, ouça Epiphany, uma das músicas da trilha:


A origem de Sweeney Todd

A primeira aparição de Sweeney Todd aconteceu muito antes do musical dirigido por Tim Burton. O personagem era o antagonista principal da história The String of Pearls, publicada no Reino Unido entre os anos de 1846 e 1847. O conto foi uma série de 'penny dreadful', nome dado a histórias de terror do século XIX, lançadas em partes durante várias semanas, custando um 'old penny' (um centavo).

Neil Gaiman, autor inglês de romances e histórias em quadrinhos, identificou uma série de textos que citavam Sweeney Todd, alguns datados do século XVII. É tão difícil saber a origem da história que nem se sabe ao certo quem é o autor de The String of Pearls. Porém, sua representatividade foi tão grande que Todd é considerado um exemplo de lenda urbana e, além disso, há reivindicações de que ele tenha realmente existido.

O conto em torno do barbeiro que assassina seus clientes e tem a ajuda de Mrs. Lovett para transformá-los em tortas de carne já serviu como tema para um melodrama Vitoriano, um espetáculo de ballet composto pelo inglês Sir Malcolm Arnold em 1959 e para o musical da Broadway de Stephen Sondheim, apresentado pela primeira vez em março de 1979. Foi nessa última adaptação que o cineasta americano Tim Burton se inspirou para o filme Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street.

Sweeney Todd no teatro e no cinema

A adaptação de Soldheim, grande escritor norte-americano de musicais, foi baseada na peça de teatro de Christopher Bond, e nela, Todd é reinventado como um personagem trágico movido por sede de vingança. Na versão original, o objetivo de Sweeney Todd era enriquecer.

Na Broaway, Soldheim teve sua peça encenada em três momentos diferentes. A primeira foi em 1979, com um total de 577 performances, e as reestreias ocorreram em 1989 e em 2005. Diz-se que, ao fim da noite de estreia, a plateia estava quase vazia, devido ao choque com a trama. O espetáculo recebeu o Tony Award, maior prêmio de teatro dos Estados Unidos.

Tim Burton, apesar de não ser fã de musicais, colocou-se à prova e fez um musical de muito boa qualidade.

Veja um trecho de Sweeney Todd no teatro e no cinema:



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