sábado, 22 de outubro de 2011

Canções de Amor

Vanessa Souza

A cidade é Paris. Existe melhor lugar no mundo para ser o cenário de não uma, mas várias histórias de amor? O cineasta francês Christophe Honoré parece saber bem disso. Em Les Chanson d’Amour (ou, em português, Canções de Amor), ele coloca seus personagens para cantar sobre a dor de um – ou vários – romance de difícil solução.

A história é dividida em três partes, e a primeira, Le Depart (em tradução livre, A Partida), apresenta o personagem principal, Ismaël (Louis Garrel), que namora Julie (Ludivine Sagnier) já há algum tempo, como é sugerido pelo decorrer da trama. Para, talvez, renovar o relacionamento, a colega de trabalho de Ismaël, Alice (Clotilde Hesme), é convidada a se tornar a terceira integrante desse romance. A idéia parece não funcionar como o imaginado quando Julie demonstra certa insegurança, perguntando a Ismaël se ele a ama várias vezes.

Ao fim dessa primeira parte, uma tragédia inexplicada muda a direção do filme: Julie morre sem motivo aparente depois de se sentir mal em uma festa. Mesmo que as outras duas partes – A Falta e O Retorno – não se aprofundem no motivo de sua morte, o diretor não falha em construir uma narrativa cheia de reviravoltas. O resto do filme mostra a continuação da vida dos personagens e apresenta um novo: Erwann (Grégoire Leprince-Ringuet), que toma parte no surpreendente final do longa.


Nouvelle Vague

O filme começa com takes das ruas de uma Paris já anoitecida enquanto os créditos iniciais mostram apenas os sobrenomes dos atores em letras maiúsculas. Uma sutil referência ao Jean-Luc Godard da década de 1960. Ainda no começo do filme, a cena que traz Julie, Alice e Ismaël lendo na cama faz alusão à clássica imagem do filme de François Truffaut, Domicile Conjugal. Não é à toa que andam chamando Christophe Honoré de ‘o herdeiro da Nouvelle Vague’, um dos momentos em que o cinema francês sofreu uma grande virada com a quebra de paradigmas conservadores.
Les Chanson d’Amour é o segundo filme de uma trilogia de Honoré que resgata essa época do cinema francês e mostra Paris na vida de diversas gerações. Ainda que o filme tenha algo das décadas de 1950 e 1960, a história é calcada no presente, com pessoas andando pelas ruas falando ao celular. A liberdade no amor e a constante sensação de seu fracasso marcam presença não só em Les Chanson d’Amour, mas também nas outras obras do diretor.

As Canções

Compostas por Alex Beaupain e interpretadas pelo elenco, as músicas são puramente pop e carregam mais o lado psicológico dos personagens do que a narrativa do filme em si. Além das melodias cativantes (até mesmo as mais tristes), a língua francesa ajuda a encher as canções de charme.

Não é tão fácil nos dias de hoje fazer um musical que não fuja da realidade, dos sentimentos e da vida de jovens habitantes de grandes cidades. Honoré, no entanto, se propõe a isso e consegue trazer honestidade à narrativa, com a ajuda de Beaupain nessa missão, com letras francas e cheias de sentimento.

Assista ao trailer do musical Les Chanson d’Amour:

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