quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A vez do rap nacional


Com direito a programa de tv e videoclipes de primeira linha, Emicida é um dos artistas mais comentados de 2011
Carolina Ito

Vencedor de diversas batalhas de improvisação, Leandro Roque de Oliveira, ficou conhecido como o “matador de MC’s”. As siglas que compõem o nome artístico E.M.I.C.I.D.A. sintetizam o pensamento poético do rapper: Enquanto Minha Imaginação Compor Insanidades Domino a Arte”.

O primeiro trabalho de Emicida foi a mixtape Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe..., lançada em 2009. O nome emblemático antecipa a ascensão do artista que pretende dominar a arte do rap, sem cair nos estereótipos que cercam esse gênero.

Quem vai a um show do Emicida sabe, ou melhor, sente, a manifestação fervorosa do público diante das músicas com apelo social, que tratam de violência e pobreza, mas ele tem outras facetas consideráveis. Acredito que o que fez o rapper botar a cara na mídia foram as canções que tratam de temas considerados universais, de maneira despojada e criativa.

Posso citar nada menos que o Amor como um clichê que ele domina com maestria. As canções Ela diz e A cada vento se tornam irresistíveis na medida em que agregam uma espécie de lirismo às epifanias do cotidiano (e aqui estou sendo um tanto lírica!).

O que quero dizer é que esse tipo de abordagem permite atingir um maior número de pessoas, ou pelo menos serve para diminuir o fosso que separa o rap dos ipods de quem não se identifica com os chavões do hip hop.

A segunda mixtape chama-se Emicídio e foi lançada em 2010 pela gravadora independente Laboratório Fantasma. Uma das faixas, que leva o mesmo nome do álbum, alcançou os trending topics do Twitter depois da apresentação do Mc no Programa do Jô.

Nesse momento a carreira do rapper decola, sobretudo com a divulgação de seus videoclipes no Youtube e em emissoras de tv. O vídeo de Triunfo, faixa do primeiro álbum, teve mais de 1,7 milhões de visualizações no Youtube e, mais recentemente, a produção quase documental de Rua Augusta ficou no Top10 da MTV.




No último dia 5, Emicida estreou como apresentador do programa Sangue B da MTV que fala sobre novidades do hip hop, agregando outros gêneros como soul, reggae, r&b e funk.

Ele expõe as contradições do rap nacional, critica o governo, faz exibições em grandes emissoras de tv, fala de amor e solidão sem o menor pudor. Os puristas do hip hop torcem o nariz para essas inovações, os críticos começam a associar seu estilo ao (famigerado) hype... Apesar disso, Emicida parece contribuir para o fenômeno inédito da democratização do rap.

Um comentário:

  1. Só um adendo, a "gravadora independente" dos seus discos chama-se Laboratório Fantasma e é do próprio Emicida.
    No mais, parabéns pelo post.

    ResponderExcluir