sábado, 17 de setembro de 2011

Relatos de um jovem jornalista


Repórter conta como foi entrevistar o mundialmente 
conhecido Rock in Rio
Julia Germano Travieso 

Caminhei pelos dois quarteirões que me separavam do local onde estava combinado o encontro. A noite estava calma, poucas estrelas no céu, chuvas estavam previstas para amanhã. O bar ainda estava vazio quando entrei, alguns gatos pingados se reuniam no ritual rotineiro de girar ao redor daquelas mesas de sinuca. 
Sentei-me e pedi um copo de chopp. Meia hora, uma hora, uma hora e meia e nada de Rock in Rio. Mais alguns copos depois ele apareceu: um homem de cabelo loiro desgrenhado, olhos verdes e a barba por fazer. 

Não sabia exatamente o que fazer. Primeira grande entrevista e uns três copos depois, as perguntas estavam na ponta da língua, mas fiquei imóvel por alguns instantes. Livre da paralisia momentânea, levantei, sacudi a mão do homem. Passadas as apresentações, pedimos mais uma rodada de chopp, o entrevistado parecia confortável e eu me sentia relaxado. 

Partindo da infância, ele me contou suas brincadeiras e traquinagens, disse que gostava de música desde que se dava por gente. Mandou uma indireta para quem não concorda com a participação de gente como Ivete Sangalo e Shakira, “nem só de rock vive um ser humano, o axé, o pop, o soul, são todos muito bem vindos.” 

A aparência desleixada, segundo ele mesmo, é consequência da preguiça, “só de pensar em ter que lavar a roupa e me barbear já tenho calafrios! No frio chego a usar a mesma roupa virada do avesso por três dias.”. Brinco que é uma das desvantagens de morar longe da mãe. 

Nessa hora Rocky – apelido que ele me obrigou a usar – ficou empolgado. Começou a contar suas experiências em Portugal, em Madri – um artifício da mãe para tentar tirar o menino das confusões constantes. “Acho que o ano era 2001, estava nos meus 16 anos e era metido a rebelde, me enfiei em muita briga. Minha mãe tentou colocar juízo na minha cabeça, me apresentou os problemas que o mundo passava, tentou me convencer a trabalhar Por um Mundo Melhor. A ideia deu certo, mas continuei me ferrando. No fim achou que ir morar em Lisboa e conhecer outra cultura me faria bem.” 
Palco Sunset.

Ir para Lisboa e depois para Madri foi muito bom, segundo ele. Conheceu bandas como Alejandro Sans, Xutos e Pontapés e Rui Veloso, sem deixar de lado as brasileiras como Pitty, Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Marcelo D2 e sendo sempre fiel às internacionais Guns & Roses, Amy Winehouse, Red Hot Chilli Peppers e até o lendário Roger Waters. 

Para Rocky a viagem foi muito boa, ajudou ele a amadurecer, abrir a cabeça, aprendeu a trabalhar, ajudar a sociedade e o meio ambiente, ganhou muito dinheiro, conheceu gente do mundo todo. Reconheceu que pequenas bandas também têm muito talento, aprendeu a respeitar os selos alternativos, incluindo-os ao seu repertório. 

Chegou até a marcar presença em um desfile que aproximava a música e a moda. “Nunca fui muito ligado em moda, como você já deve ter percebido, mas em 2008 lá em Lisboa participei de um evento muito interessante. Era um lugar onde desfilavam várias marcas de diferentes criadores onde cada um podia encontrar um estilo que combinasse com sua personalidade.” 

O Espaço Fashion é uma mistura entre moda e musica.
Foto: Divulgação.
Umas cinco rodadas de chopp depois o bar começou a encher, as pessoas estavam ficando histéricas. A conversa estava no fim. Perguntei se tinha alguma coisa a acrescentar, quem sabe um recado aos fãs. Em resposta revelou que pensa em ir mais longe, passar um tempo em algum outro país da América Latina, está em dúvida entre Colômbia, Argentina e México, disse que tem até projetos para uma viagem à Polônia. 

“Esse ano estou por aqui em uma visita à minha mãe. Continuarei minhas viagens, mas prometo que tentarei voltar mais vezes; esse negócio de repetir a roupa está começando a ficar nojento.” Rocky riu, pagou sua parcela da conta e deu um passo em direção ao temporal que chegou mais cedo, me deixando com um copo pela metade e anotações do que viria a ser uma das melhores entrevistas de minha vida.  

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