quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Os novos Caetanos da música brasileira

Caetano Veloso mostra novas facetas mesmo depois de ter construído uma obra extensa e que se eternizou na história da música brasileira

Amanda Lima

São mais de quatro décadas de carreira e, ainda assim, Caetano não se cansa de mostrar ao público o quanto é completo, versátil e capaz de se renovar sempre. Depois do lançamento dos discos , Zii e Zie e de um ao vivo com Maria Gadú, Caetano se lança em um novo projeto: compor um disco todo para Gal Costa e dirigir as gravações.

O disco , lançado em 2006, já denuncia o frescor musical de Caetano no próprio título, que se refere à forma coloquial de “você”. Acompanhado por um trio de rock formado por Pedro Sá, Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes, o compositor disse ter sido inspirado pelo punk para compor as doze faixas do disco. Além disso, a questão política se faz presente de forma explícita em O Herói:


Zii e Zie (Tios e Tias, em italiano), de 2009, é um álbum de samba gravado com a mesma banda do disco anterior. As canções foram chamadas por Caetano Veloso de “transambas” para denominar a maneira como foram criadas. O disco todo surgiu da temporada de shows ocorrida no Rio em 2008, denominada Obra em Progresso.

Na ocasião, foi criado um blog para registro do processo de criação do disco. Foi a maneira inovadora encontrada por Caetano de se aproximar do público e afastar a ideia de mito da música brasileira. Com isso, abriu espaço para a expressão de suas ideias e para a comunicação com os leitores. Rolou até uma enquete para que os internautas escolhessem a melhor entre duas versões para Incompatibilidade de gênios, de João Bosco e Aldir Blanc. O resultado foi esse:



A nova parceria de Gal e Caetano

Caetano Veloso e Gal Costa
no Rio, em 1978
A história de amor platônico entre Gal Costa e Caetano Veloso é antiga, mas não deixa de ser atual. O primeiro encontro dos dois foi em 1963. Gal, aos 18 anos, foi ouvida por Caetano pela primeira vez e já arrancou elogios do jovem compositor, de 20 anos: “Você é a maior cantora do Brasil”.

A empatia foi inevitável. O primeiro álbum da parceria foi Domingo (1967), produzido por Dori Caymmi e que agrada até os dias de hoje. Além dele, destaca-se o primeiro LP solo de Gal, lançado em 1969, expressão perfeita da proposta e do som da Tropicália. Nesse disco, aparecem cinco canções de Caetano – entre elas Baby e Divino Maravilhoso – e participam nomes imortalizados como Gilberto Gil, Tom Zé, Rogério Duprat e Lanny Gordin.

Depois desses e de outros tantos encontros (não há um só disco de Gal que não tenha pelo menos uma música de Caetano), os dois estão juntos outra vez para um CD que promete ser novo em todos os aspectos. A gravação das bases já foi feita e teve a participação de músicos cariocas, além da ajuda de Moreno Veloso, filho de Caetano e afilhado de Gal. O lançamento do disco está previsto para este mês e deverá se chamar Doce. É aquela coisa mágica que só a Bahia tem sendo materializada em forma de boa música mais uma vez.

@mandiml

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