sábado, 3 de setembro de 2011

O primeiro Rock in Rio e o último suspiro da repressão artística

O rock inseriu o Brasil ao cenário mundial da década de 80: o de liberdade.

Carolina Rodrigues


Enquanto o Brasil vivia a véspera do AI5, o mundo via nascer o primeiro grande festival de rock n roll: Monterey International Pop Music. Em 1967, a Califórnia viveu três dias de agitação com 200 mil pessoas reunidas por um único objetivo: uma revolução pacífica. O porquê? Guerra do Vietnã. Pois é, foi em movimentos como esse que a população começou a sentir um desejo imensurável por liberdade, por paz e amor, o qual se alastraria por, praticamente, todo o mundo – até chegar ao Brasil.

Se vocês querem saber que tipo de rock apresentou-se no Monterey Festival, basta entenderem que foi o melhor possível. Jimi Hendrix simplesmente incendiou sua guitarra no palco, acendendo a fogueira de uma luta por paz baseada na música, na arte e na poesia. Nessa onda, Pete Townshend, guitarrista do The Who, estraçalhou sua guitarra, e Janis Joplin representou de forma ilustríssima as mulheres de todo canto da Terra.

Dois anos depois, Bethel (EUA) sentiria o chão tremer com os mais de 450 mil participantes do Woodstock. Mais três dias intensos de paz, amor, música e liberdade. Esses ideais eram tão verdadeiros e fortes, que durante todos esses dias, com 34 atrações de puro rock, os jovens contentaram-se em cantar, amar e protestar. A polícia nem ao menos teve que fazer seu papel: não houve nenhum caso de violência. Incrível, não?

Enfim, o Brasil
Após 20 anos de ditadura militar, o Brasil liberta-se. Coincidência ou não, em 1985, os brasileiros têm sua terra verde e amarela invadida pelos grandes ícones do rock e seus ideais de liberdade. Nada mais, nada menos que: Queen, Iron Maiden, Whitesnake, James Taylor, AC/DC, Scorpions, Ozzy Osbourne, dentre outros. Esse foi o primeiro Rock in Rio da história.


O próprio nome já diz. ROCK. O verdadeiro rock foi apresentado aos mais de 1 milhão de brasileiros que estavam presentes em 10 dias de festival. Organizado por Roberto Medina, o Rock in Rio foi um marco na história do Brasil. E poucas pessoas entendem isso. No país do samba, foi o rock quem abriu as portas para que nos tornássemos uma nação aberta, interativa e de acordo com os principais ideais que afloravam pelo mundo.

Antes do Rock in Rio, tínhamos nossos grandes artistas exilados e uma situação completamente não favorável à diversidade cultural, incluindo a música. Que estrela do mundo musical iria se interessar por um país tão fechado e ligado à repressão? Poucos tinham se aventurado no Brasil até então. O mundo queria paz. O mundo queria amor. O mundo queria liberdade. Foi assim que, depois do Rock in Rio, passamos a ser, não somente o país do futebol, mas também o país receptivo e caloroso o qual encantou os artistas que aqui pisaram. 
Pois é, os integrantes do Queen afirmaram que o show no Rock in Rio ’85 foi um dos cinco mais emocionantes do grupo. Freddie Mercury, ex-cantor da banda, é que nos emocionou mais ainda ao dizer que a apresentação da música Love of my life foi a melhor já feita por eles. Já o grupo Iron Maiden teve sua maior platéia aqui, na cidade do Rock. Dessa maneira, disseram que foi uma das experiências mais marcantes da história da banda. De fato, a recepção calorosa dos brasileiros começara ali.


James Taylor havia afirmado que iria abandonar a carreira logo após o Rock in Rio ’85 - pois enfrentava a dependência de drogas e o divórcio da, também cantora, Carly Simon. Mas foi justamente a recepção do público brasileiro que comoveu o cantor e fez com que ele seguisse em frente e criasse a música Only a Dream in Rio, que diz: “Eu estava lá naquele dia e meu coração voltou à vida”. 

É por esses e muitos outros acontecimentos do primeiro Rock in Rio que eu me arrepio cada vez que vejo fotos, vídeos e matérias sobre o assunto. Eu não estive lá, mas queria. Juro que queria. Queria pelo fato de saber que, aquilo sim, era rock. Aquilo sim era o que movia as pessoas rumo a um mundo melhor, mais livre. Por pura influência de meus pais, tive contato desde cedo com bandas como Scorpions e Queen. Não tem como negar que, além de fazerem de sua música uma grande história, eles marcaram a nossa de um jeito que não tem como esquecer.

Arrepie-se também todos os sábados de setembro com nosso Especial Rock in Rio. We Will Rock You.


2 comentários:

  1. Muito, muito bom, Pro. Adorei. Beijão!

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  2. BRILHANTE, CAROL!!!!!!!!!
    DÁ VONTADE DE CHORAR AO VER IVETE SANGALO E BEYONCE NUM LUGAR EM QUE NÃO DEVERIAM ESTAR.
    MAS VC RESGATOU O VERDADEIRO ROCK IN RIO, CAROL!
    BRAVO!!!!!!!

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