sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A brasilidade independente de Amauri Falabella

Amanda Lima

"Acho que ninguém deve se moldar na arte
para agradar alguém", aconselha Amauri
(Foto: Arquivo pessoal)
Com três discos lançados e exalando a paixão pela viola caipira, Amauri Falabella é um dos muitos músicos que conquistaram espaço no cenário musical de forma independente. Foi apresentado à música quando criança sob a influência dos pais, que a mantiveram sempre presente. Ganhou o primeiro violão e, desde então, rumou à trajetória de vários percalços até descobrir que a música permearia intensamente sua história.

Amauri mora em Guarulhos e, aos 47 anos, já tem mais de 30 como músico profissional. Sobre seu ingresso no cenário musical, o músico diz que tudo aconteceu de forma natural. Tocava com os amigos, em bares, e, de repente, estava inundado de atividades musicais. “Conforme o tempo passou, não consegui encontrar outros empregos e fui assumindo cada vez mais a música”, conta. De uma hora para outra, 'viver de música' passou a ser algo a se considerar.

Dentre as principais influências musicais de Amauri estão nomes como Elomar, Dercio Marques, Xangai, Vital Farias e Denise Emmer. Ele frisa que “são nomes bastante expressivos, apesar de não serem muito conhecidos pelo grande público”.

O destaque na carreira do compositor, que proporcionou maior visibilidade para sua música no cenário nacional e até internacional, foi o Prêmio de Música Brasileira da Rede Globo, no ano de 2000. Amauri conta que se inscreveu no concurso por insistência de amigos e familiares e não imaginava que poderia vencer. “Eu não acreditava que conseguiria porque era muita gente participando”, comenta. Entretanto, o músico chegou à final e foi o vencedor do Prêmio Especial do Júri Popular, com 60% dos votos para a canção Brincos. “No fim das contas, acabei sendo classificado e cheguei até a final. Foi muito importante para mim”.

O primeiro disco, Ciranda Lunar, foi lançado em 2001 e representou a realização de um sonho para Amauri Falabella. Segundo ele, a produção de um CD dez anos atrás era muito mais difícil do que atualmente. Ter vencido o prêmio da Rede Globo foi um grande facilitador para a finalização do disco. “Bati fotos das caixas com os discos prontos que chegaram aqui em casa. Foi muito bonito”, relembra Amauri da emoção que sentiu ao segurar o primeiro álbum nas mãos.

Com mais experiência e patrocinado pelo FunCultura (programa artístico da cidade de Guarulhos que financia projetos culturais), Amauri lançou seu segundo disco em 2005, o Violeiro Urbano. Como o nome já diz, o músico insere a sonoridade da viola caipira ao cenário da cidade grande. “É aquela coisa da pessoa que é da cidade, mas gosta muito do som de viola, de música caipira”.

Há dois anos, Amauri Falabella lançou seu terceiro disco, homônimo. “São canções inéditas e algumas regravações. Ele foi feito em um formato que eu sempre quis fazer, com um trio de violões. Não tem percussão, nem outros tipos de instrumentos”. Formado por Amauri e pelos violonistas José Ricardo Silva e Rafael Monteiro, o trio executa canções cheias de harmonias ricas e verdadeiras poesias.

Amauri Falabella, acompanhado por José Ricardo Silva e Rafael Monteiro
(Foto: Arquivo pessoal)

Sobre outros metidos à música independente, Amauri aconselha: “Acho que ninguém deve se moldar na arte para agradar alguém. Você deve fazer aquilo em que você acredita, que acha bonito e que de certa forma pensa que vai ser bom para as outras pessoas.”

Ouça Cilada, faixa do disco mais recente de Amauri Falabella:

Nenhum comentário:

Postar um comentário